Objeto de transição: o famoso cheirinho

transição Quase todos os pais já vivenciaram a fase do paninho, também conhecidos como cheirinho. Na verdade, a maioria das crianças adota um determinado pano, como uma fralda ou uma fronha, mas pode ser qualquer outro objeto, desde que fácil de ser manipulado e acariciado. E os pais sabem que ele deverá estar sempre disponível e muitas vezes não poderá sequer ser lavado com muita freqüência, pois caso contrário haverá reclamação.

Durante o primeiro ano de vida ocorre uma evolução na criança em relação ao conceito de meio interno e externo. O bebê pequeno não reconhece o meio externo e para ele tudo faz parte do seu corpo, como o seio materno, por exemplo. Somente com o passar dos meses e a aquisição de experiência, o bebê começa a assimilar a existência de outros indivíduos e objetos independentes de seu próprio organismo. Nesta fase, a criança começa a explorar o seu ambiente através de olhares, aprimora o seu contato social e observa o rosto humano com grande interesse.

É aqui que o famoso paninho exerce a sua função. Aos poucos a criança percebe o fato deste objeto não pertencer ao seu corpo, de ser algo que pode ser manipulado e eventualmente deixado de lado. Que, embora não esteja presente em todos os momentos, pode ser solicitado de volta para ajudar a conciliar o momento de se desligar do mundo e dormir, além de aliviar os momentos de ansiedade.

Por estes motivos, o fato de uma criança pequena estar muito apegada a um objeto não deve ser motivo de preocupação para os pais, os quais devem mantê-lo disponível, pois a sua retirada sem o consentimento do filho pode provocar uma ruptura no processo de desen­vol­vimento. Não há uma idade específica para o abandono do objeto de transição, pois cada criança tem o seu próprio ritmo e aos poucos é natural que vá perdendo o interesse na medida em que vai adaptando-se ao seu ambiente.

Só mais um lembrete a respeito do tema: este objeto deve ser escolhido e solicitado pela criança. Quando os pais impõem, ele pode ficar relacionado como substituto da presença dos pais e com abandono.

Leia também o texto do psicólogo Vladimir Melo Bonecos como objetos transicionais – Parte I

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1 Response
  1. Por coincidência, pensei nos últimos dias em tratar desse mesmo assunto.
    A minha abordagem trataria de algumas histórias infantis que falam do objeto transicional. São elas: O Ursinho Pooh, Pinóquio, Velveteen Rabbit (infelizmente ainda não traduzido para o português, destaque para o diálogo entre o coelho e o Skin Horse) e Toy Story (principalmente o segundo filme em que surge para Woody o dilema de ser preservado no museu ou ser amado e usado pelo seu dono, Andy). O Velveteen Rabbit tem inclusive um subtítulo muito conveniente ao conceito winnicottiano: How Toys Become Real.